segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Relacionamentos - Arnaldo Jabor

"Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido." 
Vinícius de Moraes






Relacionamentos


"Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. 

Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos.... que pena... acabou...
- É... não deu certo...

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.

Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. 
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.

Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.

Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.

E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.

Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não. 

Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.

Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama. 
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?

O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.

Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.

Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.

E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.

Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias. 
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear. 
E nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...

Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ????"


Arnaldo Jabor

Um dia no Paraguai...

 - Meia, patrão, meia?
...
- Vai comprar, vai comprar?
...
            Essas são duas das principais falas dos paraguaios assim que você desce do carro e pisa, de fato, em solo estrangeiro. Um presságio ao capitalismo que nos espera. Assim que você estaciona seu automóvel, um rapazinho de não mais de doze anos, na maioria das vezes, pede para cuidar do carro em troca de, na volta, você comprar alguns pares de meia dele. Quanta segurança! Mas fazer o quê?
            Depois de esperar por mais ou menos duas horas na fila para poder entrar no país, você respira e pensa “o que que eu estou fazendo nesse fim de mundo?”. O calor é tanto que, reza a lenda, quando um mal-habitante morre e, claro está, vai para o inferno, ele se previne e leva um cobertor. Só para esclarecer: indo por Guaíra e em pleno verão de dezembro. Parece que só de chegar perto da divisa com o Mato Grosso do Sul o suor já começa a escorrer diferente, mais rápido e incômodo.
            Quanto à paisagem, o que mais me chamou a atenção foram as motos. São motos normais, mas quem as dirigia eram niños com a mesma idade daqueles que estavam cuidando dos carros. Capacete pra quê? Não havia! Eles passavam entre os carros, entre as pessoas que atravessavam as ruas entre os carros, eles passavam rápido e imprudentemente. Paraguai, país de todos e de ninguém.
            Você olha para os lados e vê uma discrepância muito grande entre cultura inata e cultura imposta, se é que assim podemos denominar. Na realidade, ou na ilusão, tudo depende do ponto de vista, o que você vê são apenas marcas. Marcas entre o pó e o calor. As pessoas são as marcas que elas compram. “Hola, cómo estás, señor Nike? Y usted señora Sony?”. As pessoas correm de um lado para outro, parecem que estão preocupadas, pensando em produtos, nas marcas, nas pessoas, nas marcas...
            Uma coisa muito legal também são as fachadas das lojas. Numa loja de pneus, a imagem era, do meio pra esquerda, obviamente, pneus, e do meio pra direita, uma mulher deitada e de biquini. Uma ótima estratégia de marketing, não?! Mas hoje em dia mulheres também compram acessórios para seus carros. Numa outra loja, a fachada trazia a foto de um niño, provavelmente o filho do dono. Não consegui ver ligação com os produtos que se vendia ali. Enfim, tudo muito criativo, mas kitsch.
            - Óculos! Não vai comprar? Não vai?!
Será que eles acham que vamos comprar tudo? Parece que querem descontar em nós todo o processo de globalização/colonização e capitalismo que sofreram. Alguém precisa dar um curso de técnica em vendas para esses chicos! Isso na rua, mas dentro dos shoppings a coisa é diferente. Há vendedoras, muitas brasileiras, e essas sempre muito simpáticas e sorridentes, conquistando o cliente mais pela aparência do que pelo produto. Pois é, eles importam não somente produtos baratos, mas mão-de-obra também.
Então você fica com fome e vai até a praça de alimentação do shopping China. Nome mais apropriado não há. Por um segundo você pensa: “agora vou comer alguma coisa típica daqui”. Coisa de quem está acostumado a visitar lugares culturalmente assentados. Então você pensa de novo: “mas qual a comida característica daqui? Tacos? Burritos? Nachos?”. Aí eu percebo o quão sou ignorante. Não sei o que eles comem. Olho para os lados, comida chinesa, comida italiana...  e comida mundial! Sim, o Burguer King!  O rei está ali, todo soberado, com seus súditos em fila indiana aguardando para reverenciá-lo. No fim da veneração, é você quem ganha a coroa.
Não teve jeito, pedi o trio: fritas, coca-cola e um lanche cujo nome em inglês não me lembro mais. Comi de pé porque havia tanta gente que não sobraram cadeiras. Olho para o lado e foco em um rapazinho com a coroa de papel do King na cabeça, todo sorridente, como se realmente fosse o dono do mundo. Mal sabe ele...
Não via a hora de ir embora. Três horas naquele lugar já estava insuportável. Falta de costume, talvez. As pessoas adoram comprar, o Paraguai, então, torna-se o paraíso.
Percebi , afinal, que isso não era uma viagem de turismo. É coisa de fronteira. No fundo achei que fosse encontrar alguma bela imagem de recordação, um souvenirO que, sem dúvidas, encontraria se adentrasse mais o país. Havia me esquecido que fui seduzido e levado até lá pelo capitalismo e lá mesmo engolido por ele. Por sua máscara de si mesmo. Valeu a experiência e a curtição com os amigos... ah, valeu também as amarulas que eu trouxe, estavam super em conta. Será que um dia alguém vai escrever um outro “Um dia no Paraguai...” e mencionar um “Señor Amarula”? Nada mais natural.

Marco Hruschka
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sem-te





No auge da vida, descubro-me inválido...
De uma invalidez ébria e devassa
E sedenta, desprezível porque não posso controlar.
Aqui no peito, apenas o vazio da tua ausência,
Na mente, um turbilhão de imagens desconexas,
No nada, eis-me ali, sangrando amor
Porque já não cabe dentro, porque não há mais alento.
Sou teu escravo, teu criado, teu vassalo,
De mim pra ti devoção, submissão, louvor e canção,
Agora o céu está pesado, escuro, pesadelo em si
A dor já chove, ardência sem chamas em cinzas!
Se eu pudesse não mais sentir... o impalpável,
A tua ausência, sim, a tua ausência!
É o não-estar que me aflige,
O querer-te aqui, o abraçar-te enfim e infinitamente...
Sou a mágoa e a chaga que se alimenta da tua saudade,
Tudo o que escreve é sofrimento, pena banhada na tinta do unguento,
No caixão dos tolos apaixonados espero-te, meu bem,
Mesmo sabendo que não-você é o meu fado
Intransponivelmente eterno daqui para o além...

Marco Hruschka

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Maringá, Paraná, Brazil
Marco Hruschka é natural de Ivaiporã-PR, nascido em 26 de agosto de 1986. Morou toda a sua vida no norte do Paraná: passou a infância em Londrina e desde os 13 anos mora em Maringá. Sempre se interessou em escrever redações na época de colégio, mas descobriu que poderia ser escritor apenas com 21 anos. Influenciado por professores na faculdade – cursou Letras na Universidade Estadual de Maringá – começou escrevendo sonetos decassílabos heroicos, depois versos livres, contos, pensamentos e atualmente dedica-se a um novo projeto: contos eróticos. Seu primeiro poema publicado em livro (Antologia de poetas brasileiros contemporâneos – vol. 49) foi em 2008 e se chama “Carma”. De lá para cá já, entre poemas e contos, já publicou mais de 50, não apenas pela CBJE, mas também em outras antologias. Em 2010 publicou seu primeiro livro solo: “Tentação” (poemas – Editora Scortecci). Em 2014, publicou “No que você está pensando?” (Multifoco Editora), livro de pensamentos e reflexões escrito primordialmente no facebook. É professor de língua francesa e pesquisador literário.

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No que você está pensando?
"A vida é um compromisso inadiável" M. H.
"A cumplicidade é um roçar de pés sob os lençóis da paixão." M.H.

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