sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Língua ligeira

Que língua ligeira,
Que mexe, que gira,
Que sobe, que desce,
Uma arma sem mira...

Que língua ligeira,
De uma cor meio assim:
De pimenta, de fogo,
De sangue, carmim!

Que língua ligeira,
Que mexe, que gira,
Caliente, ousada,
O pecado me inspira.

Que língua ligeira,
Me toma, me mata,
Molhada, matreira,
Sedenta, irada!

Que língua ligeira!


Marco Hruschka
terça-feira, 24 de setembro de 2013

Semitonar-se

Às vezes só os bemóis me acalmam...

Porque no sofrimento semitonado
Encontro a fonte das dores que exalam
Tudo aquilo que não posso suportar.

Existe ali uma angústia...
Algo anterior ao mundo...
Uma coisa que jaz...
E que ao mesmo tempo
Faz com que eu renasça!

O sofrimento é revigorante!

Quem não sofre não é feliz!

Não vejo sequer uma luz ao longe,
Nem perto, nem nunca
E mesmo assim tudo cresce em mim.

Mas a esperança é a primeira que morre.
E é justamente isso que dá sentido
A essa posição fetal na qual eu me encontro.


Me encontro...


A vida é um eterno semitonar.

Marco Hruschka
segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um poema em cada árvore - Mobilização nacional 2013

Dia 21 de setembro de 2013 será realizado o "Um poema em cada árvore" (Mobilização Nacional), quando acontecerá em 59 (cinquenta e nove) cidades das cinco regiões brasileiras, inclusive em Maringá, uma edição simultânea do "Um poema em cada árvore" - iniciativa de incentivo à leitura que utiliza as árvores como suporte de leitura.

Trata-se de uma Mobilização Nacional em prol do incentivo à leitura, da conquista de novos espaços de fruição poética, ampliação do acesso da população à poesia, divulgação do trabalho de poetas desconhecidos do grande público e contribuição na elevação do índice de leitura em nosso país.

No dia em que se comemora o Dia da árvore, seremos juntos uma rede poetas, educadores, agentes culturais e sociais, cidadãos mobilizados em levar a poesia aonde o povo está.

Compareça! Viva a poesia!


Marco Hruschka
segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Marmitas e andaimes


Aquele homem que ali vai, subindo e subindo
É humilde, é brasileiro, é trabalhador, é sonhador,
Acorda de madrugada em busca do pão de cada dia,
Beija mulher e filhos na esperança de vê-los outra vez.

Estes versos são brancos, como a paisagem que o obreiro vê.
Lá de cima, olhando em frente, vê-se apenas fumaça da cidade,
Mas este obreiro enxerga sonho, futuro, sua visão vai além, tem fé!
Um dia vou construir o que será meu, agora ele sorri, terminara a oração.
                                                                                                                      |a
ordem e progresso                                                                                                                            |n
                 b                                                                                                                          |d
                 r                                                                                                                           |a
                 e                                                                                                                          |i
                                 i                                                                                                                            |m
                         r                                                                                            |e
utopia- alucinação                                                                                                                           |s

Colunas, cimento, cal, carma de todo dia, sol a pino, hora da marmita:
Feijão, arroz, farofa quando há, a água é um milagre, sim, obrigado!
O calor judia e o suor escorre, o sonho sua, seco e salgado, solar!
Vida insalubre, o segundo é valioso, a respiração também, mas

O ar já falta, pois a idade lhe sobra, o andaime, fixo, dança,
Eis a tragédia inevitável, seu corpo é folha seca outonal...
Pobre homem, homem pobre, amanhã não terá o pão,
Comera derradeiramente o que o diabo amassou.

Marco Hruschka
28/06/2010


domingo, 1 de setembro de 2013

A MULHER DE BATOM

O que seria da mulher moderna sem o bom e velho batom? Vocabulário vindo do francês, "bâton", na sua língua de origem indica apenas o formato, ou seja, um bastão. Já o objeto que as mulheres usam para dar um charme a mais em sua maquilagem (e que charme!), na língua de Molière dizemos "rouge à lèvres", ao pé da letra: "vermelho para lábios". Expressão que revela a cor preferida pela maioria das adeptas de uma aparência bem cuidada. E já que citamos os românticos franceses, poderíamos dizer que uma mulher sem batom é como um vinho sem queijo. Sobrevivem um sem o outro, mas se complementam muito bem. Não há nada mais sensual do que uma mulher em frente ao espelho passando seu batom predileto. O olhar oblíquo, insinuante, introspectivo. É, inclusive, um dos momentos mais íntimos para a própria mulher, pois é quando ela pinta os lábios para adornar a alma. A escolha do batom está ligada diretamente ao estado de espírito feminino. É o puro reflexo da fêmea interna de cada uma. É a sua oração antes de sair de casa. Do incolor ao vermelho sangue, da menininha tímida, frágil e carente à mulher sexy, madura e dominadora, cabe a elas a surpresa, a revelação. Além disso, mulher, a sua boca tem o poder de transmitir uma mensagem não apenas pela palavra, pela voz, pelo som, mas também pelo modo sutil ou decidido como passa o seu batom. Tudo influencia, a cor, a textura, o acabamento. Abuse disso. A sensualidade mais aguçada de uma mulher está ao alcance de uma escolha bem feita. 

Marco Hruschka

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Maringá, Paraná, Brazil
Marco Hruschka é natural de Ivaiporã-PR, nascido em 26 de agosto de 1986. Morou toda a sua vida no norte do Paraná: passou a infância em Londrina e desde os 13 anos mora em Maringá. Sempre se interessou em escrever redações na época de colégio, mas descobriu que poderia ser escritor apenas com 21 anos. Influenciado por professores na faculdade – cursou Letras na Universidade Estadual de Maringá – começou escrevendo sonetos decassílabos heroicos, depois versos livres, contos, pensamentos e atualmente dedica-se a um novo projeto: contos eróticos. Seu primeiro poema publicado em livro (Antologia de poetas brasileiros contemporâneos – vol. 49) foi em 2008 e se chama “Carma”. De lá para cá já, entre poemas e contos, já publicou mais de 50, não apenas pela CBJE, mas também em outras antologias. Em 2010 publicou seu primeiro livro solo: “Tentação” (poemas – Editora Scortecci). Em 2014, publicou “No que você está pensando?” (Multifoco Editora), livro de pensamentos e reflexões escrito primordialmente no facebook. É professor de língua francesa e pesquisador literário.

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No que você está pensando?
"A vida é um compromisso inadiável" M. H.
"A cumplicidade é um roçar de pés sob os lençóis da paixão." M.H.

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